Série da Netflix, Round 6, acende debate sobre classificação indicativa e atenção ao que crianças assistem

“Todo tipo de conteúdo em que crianças e adolescentes podem ser expostas deve ser constantemente adequado e supervisionado”, explica a psicóloga Anelize Corrêa

Round 6 se tornou uma das séries mais populares da Netflix. Esse sucesso, no entanto, gerou uma consequência um tanto quanto previsível: crianças estão copiando os jogos mostrados na produção coreana.

A série, chamada em inglês de “Squid Game” (“Jogo da lula”, em tradução livre), possui uma trama que se passa em um jogo, uma espécie de reality show violento, secreto e cheio de segredos, em que 456 endividados disputam um prêmio de 45,6 bilhões de won (aproximadamente US$ 38 milhões). A competição é formada por seis provas baseadas em  brincadeiras infantis, só que com uma diferença: quem perder, morre.

A série leva esse nome por conta de um dos jogos, o “jogo da lula”, tradicional na Coreia do Sul. Talvez pelo modo das brincadeiras, a estética lúdica e o mistério, a série tenha atraído um público mais jovem, embora não devesse. “Crianças, quando expostas a imagens explícitas e conteúdos impróprios podem ter diversos tipos de prejuízos que podem atingir o ciclo de sono ideal, comprometer a capacidade cognitiva e até mesmo o desenvolvimento de habilidades de interações sociais”, explica a psicóloga Anelize Corrêa.

A classificação indicativa de “Round 6” é 16 anos, no entanto, o sucesso entre as crianças têm causado preocupação e feito escolas enviarem comunicados aos pais, alertando sobre o programa, que não passa nem um pouco perto de ser um conteúdo indicado para mentes infantis. “É por isso que o acesso a todo tipo de conteúdo em que crianças e adolescentes podem ser expostas deve ser constantemente adequado e supervisionado, deve-se sempre optar pelos entretenimentos que possam trazer benefícios, como acesso a informações e aprendizagem”, continua Anelize.

A psicóloga afirma que o ideal seria que o monitoramento ocorresse sob o olhar dos pais, porém, na dinâmica familiar da maioria das famílias, o tempo é cada vez mais escasso e poucos são os que conseguem monitorar de perto.

A partir das recomendações da psicóloga e do manual elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, o Correio separou algumas recomendações para a instalação de controle, bem como, a utilização de ferramentas para filtrar os conteúdos que a criança pode ter acesso.

Como supervisionar

– Evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente;

– Limitar o tempo de telas ao máximo de uma hora por dia, sempre com supervisão, para crianças com idades entre dois e cinco anos;

– Limitar o tempo de telas ao máximo de uma ou duas horas por dia, sempre com supervisão, para crianças com idades entre seis e 10 anos;

– Limitar o tempo de telas e jogos de videogames a duas ou três horas por dia, sempre com supervisão e nunca “virando a noite” jogando, para adolescentes com idades entre 11 e 18 anos;

– Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar uma a duas horas antes de dormir;

– Oferecer como alternativas: atividades esportivas, exercícios ao ar livre ou em contato direto com a natureza, sempre com supervisão responsável;

– Criar regras saudáveis para o uso de equipamentos e aplicativos digitais, além das regras de segurança, senhas e filtros apropriados para toda família, incluindo momentos de desconexão e mais convivência familiar;

– Encontros com desconhecidos online ou offline devem ser evitados; saber com quem e onde seu filho está, e o que está jogando ou sobre conteúdos de risco transmitidos (mensagens, vídeos ou webcam) é responsabilidade legal dos pais/cuidadores;

– Conteúdos ou vídeos com teor de violência, abusos, exploração sexual, nudez, pornografia ou produções inadequadas e danosas ao desenvolvimento cerebral e mental de crianças e adolescentes, postados por cyber criminosos, devem ser denunciados e retirados pelas empresas de entretenimento ou publicidade responsáveis.

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