Renegociação de dívidas trava e aperta crédito para produtores do Paraná

Dois meses após MP, produtores relatam pedidos parados, juros altos, novas garantias e dificuldade para obter crédito para a próxima safra

Produtores rurais de diferentes regiões do Paraná ainda enfrentam dificuldades para acessar o programa de renegociação de dívidas criado pela Medida Provisória 1.376/2026. Segundo levantamento do Sistema FAEP com sindicatos rurais, a aplicação das regras segue lenta, com poucos pedidos aprovados, exigência de novas garantias e propostas de juros que, em alguns casos, tornam o acordo inviável.

O prazo para adesão termina em 12 de novembro. A situação levou o Sistema FAEP e mais de 40 entidades do setor, junto à Frente Parlamentar da Agropecuária, a pedir ao Congresso mudanças na execução do programa.

Guarapuava tem poucos enquadramentos

Em Guarapuava, o presidente do Sindicato Rural, Rodolpho Botelho, afirma que apenas um produtor da agência local conseguiu se enquadrar. Para ele, a data de inadimplência exigida pela MP é um dos principais obstáculos, já que muitos vencimentos ocorrem em junho, julho e agosto.

Outro problema apontado são os juros e as garantias. Segundo Botelho, bancos têm oferecido taxas de 18% a 19%, acima dos contratos originais, além de exigir novas garantias. “Isso só vai jogar o problema para estourar de novo no ano que vem”, afirma.

Propostas aguardam resposta dos bancos

Em São Mateus do Sul, o presidente do sindicato, Marcos Pires, estima que apenas cerca de 12% das propostas de prorrogação foram aceitas. Ele relata casos de produtores encaminhados ao Serasa enquanto aguardam uma resposta das instituições financeiras.

Em Maringá, José Borghi afirma que produtores entregaram laudos e documentos, mas ainda esperam análise. Segundo ele, os processos passam por comitês regionais e demoram para avançar.

Na região de Guamiranga, Dalnei Menon aponta dificuldades com laudos de perdas e documentação contábil. Ele também relata restrições para obter custeio mesmo tendo bens para oferecer em garantia. “O produtor precisa de prazos e juros compatíveis e condições para continuar produzindo”, resume.

As entidades pedem regras nacionais mais claras, simplificação da comprovação das perdas, flexibilização da entrada e garantia de que a renegociação não impeça o acesso ao crédito necessário para a continuidade da produção.