Laranjeiras do Sul registra 1º caso de gripe do subtipo H3N2

A grande questão desta nova cepa Darwin se dá pelo fato de ser nova e, sendo assim, há menor defesa imunológica para ela, além desta epidemia acontecer fora da época normal

Muita gente está preocupada com o aumento de casos de Influenza H3N2, um dos subtipos do vírus Influenza A (responsável pela gripe comum). Os vírus de Influenza A são classificados em dois subtipos, a H1N1 — que ocasionou uma pandemia mundial em 2009, matando quase 300 mil pessoas — e o H3N2.


A preocupação se dá porque os governos locais e regionais têm registrado um aumento de infecção deste vírus nos sistemas de saúde, o que pode configurar como um novo surto. Ainda ontem (10), em Laranjeiras do Sul, a secretaria de Saúde divulgou o primeiro caso confirmado. Trata-se de paciente do sexo feminino, 26 anos, profissional da área da saúde. Ela encontra-se internada com quadro clínico estável.

Já foram documentadas mortes no Brasil por conta dessa contaminação, e quatro estados (Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rondônia e Rio Grande do Norte) estão em situação de epidemia. Os casos de Influenza H3N2 são associados à linhagem que se chamou de “Darwin”, que foi a cepa mais comum da temporada de gripe (que é normalmente o inverno) no Hemisfério Norte.


O alerta é ainda maior com a chegada do verão, que, de modo geral, não aumenta as taxas de casos de gripe. Uma das razões que explicariam isso foi a baixa adesão à vacina para a gripe (embora a imunização contra a gripe comum não proteja contra o H3N2) e o relaxamento do que se chama de “etiqueta respiratória” (como o uso de máscaras, limpeza frequente das mãos e o distanciamento social).


“É de extrema importância que em caso de sintomas, as pessoas procurem um médico e façam o teste da Covid-19. Por ser também um vírus respiratório, o contágio é facilmente transmitido entre pessoas por meio de gotículas liberadas no ar quando alguém gripado tosse ou espirra. A prevenção ocorre da mesma forma, ou seja, com distanciamento físico entre as pessoas, uso de máscara e higiene das mãos”, ressaltou o secretário de Saúde do município, Valdecir Valick.


Mortalidade do vírus


As preocupações acerca da H3N2 não têm a ver com o fato de ela ser mais “mortal” que outras gripes. Todas as infecções por vírus da gripe podem se tornar perigosas caso gerem complicações. Por isso, as populações que estão propensas a desenvolver problemas mais sérios são os grupos de risco, como idosos, crianças pequenas e pessoas com alguma doença preexistente.


A grande questão da H3N2 é porque o país atravessa um momento de epidemia desta cepa Darwin — por ser nova, há menor defesa imunológica para ela. Por isso, o controle coletivo desta gripe é fundamental, visto que a epidemia ocorre fora da época normal.


Com o surto — que, vale lembrar, coincide com a pandemia causada pelo coronavírus que ainda atravessamos —, a preocupação se dá pela superlotação dos hospitais no tratamento de casos mais graves. O Brasil já registra cidades em que há esperas de horas para atendimento nos centros de saúde e demora no resultado de testes, como o que identifica a Covid-19.


Transmissão


O período de incubação do vírus H3N2 é de três a cinco dias, quando começa a manifestação dos sintomas. Porém, também é possível que uma pessoa tenha a doença de uma forma assintomática, sem apresentar nenhuma reação. Nesses casos, o paciente também pode transmitir a doença.


O período de transmissão do vírus em crianças é de até 14 dias, enquanto nos adultos é de até sete dias. Mas a doença pode começar a ser transmitida até um dia antes do início do surgimento dos sintomas. O período de maior risco de contágio é quando há sintomas, sobretudo febre.


Para tentar conter o possível surto, o Ministério da Saúde anunciou que há previsão de que a vacina (que ainda está sendo produzida pelo Butantan) para essa nova cepa deva chegar no país em março. Ela deverá ser trivalente: contra H1N1, H3N2 e subtipo Darwin e cepa B.


Sintomas e tratamento


Os sintomas são os mesmos da gripe comum e resfriados como febre alta no início do contágio, inflamação na garganta, calafrios, perda de apetite, irritação nos olhos, vômito, dores articulares, tosse, mal-estar e diarreia, principalmente em crianças.
O mais comum é tratar os sintomas, e não a doença, que tende a se encerrar quando acaba o seu ciclo natural, que, portanto, se dá apenas por remédios que diminuem os efeitos dos sintomas, como o paracetamol e ibuprofeno. Vale lembrar que a forma de evitar a contaminação é a mesma de todos os vírus respiratórios: evitar manter contato com gotículas de salivas por meio da tosse e até da fala.

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