Laranjeiras: conheça Maira Sartori, a protetora independente que dedica seu tempo aos animais

“Quando falam que sou uma protetora, percebo a importância que esse cargo carrega. Eu protejo e dou voz aos animais abandonados”, enfatiza Maira

No Brasil, o número de animais abandonados impressiona: cerca de 40 milhões encontram-se na rua, sendo cerca 10 milhões de gatos e 30 milhões de cachorros. O que pouco se fala, é que existem pessoas que disponibilizam seu tempo e amor resgatando esses animais.

Em Laranjeiras, a protetora independente Maira Sartori, realiza esse trabalho. Em entrevista ao Correio do Povo, ela conta sobre a importância do seu papel na cidade. A inserção de animais na vida de crianças, segundo estudo, pode auxiliar na saúde mental e afetiva na infância, visto que os pequenos despertam mais as emoções com o amigo de quatro patas. Mas vale salientar que animais não são brinquedos e os adultos são responsáveis pelo cuidado com os pets, principalmente ensinando às crianças a como tratar os bichinhos.

Desde cedo, a convivência de Maira com os animais era intensa e esse é um dos principais pontos que a influenciou na responsabilidade que carrega hoje. “Examinando a minha consciência, percebo que devo tudo aos animais, o carinho e o cuidado vem desde a minha infância”.

Realidade

Maira conta que perante uma análise, percebe-se que tudo foi criado por conta do trabalho exploratório de animais. “Depois de muito refletir e pesquisar sobre o assunto, hoje sabemos que os animais só foram domesticados para o trabalho, para que tenhamos cidades amplas e lavouras para plantar, o que me deixa triste. Por que não protegê-los hoje?”.

A sociedade individualista, segundo a protetora, é o que mais machuca os animais, negando a existência deles. “Em nossa cidade, muitas pessoas preferem comprar veneno em vez de comida para os animais. Isso corta o meu coração, pois ajudo tantas pessoas, tantas entidades e ninguém move um dedo para mudar a situação vulnerável dos bichos”.

Motivação

A protetora conta, que o que a motiva é saber que animais precisam de cuidado, visto que na cidade poucas pessoas enfrentam essa batalha. “A nossa sociedade precisa amadurecer muito a respeito da proteção. Água e comida é o mínimo a ser ofertado. Tenho certeza que eles serão eternamente gratos pelo cuidado”.

A função de protetor não é para qualquer um, e segundo ela, tem de ser levada a sério. “Recebo ligações o tempo todo de pessoas solicitando o resgate dos animais, tanto na cidade, quanto no interior. Hoje, eu abdico o meu tempo para eles”.

Ajuda

O protetor individual é aquele que aplica seu tempo, empenho, carinho e dinheiro aos animais vulneráveis. Maira conta, que a ajuda da população no cuidado deles ainda é mínimo e reforça o pedido de ajuda. “É muito dinheiro envolvido. Carinho e amor não resolvem toda a situação.

recisamos de ração e medicamentos para manter os cuidados, pois também temos emergências, principalmente quando precisamos castrá-los. Estamos desesperados, pois temos muitos animais abandonados na cidade”.

Proteção judicial

O projeto de lei 11/2022, protocolado na Assembleia Legislativa do Paraná, pretende endurecer a punição a quem cometer maus-tratos a animais. A iniciativa atualiza a Lei Estadual nº 14.037/2003, que instituiu o Código Estadual de Proteção aos Animais, aumentando a penalização do infrator. A mudança apresentada pelo deputado Anibelli Neto (MDB) prevê que o agressor também pague pelas despesas do animal e estabelece a perda da guarda, posse ou propriedade e proibição de aquisição da tutela de animais pelo prazo de cinco anos.

“Se você notou uma situação de maus-tratos, ouviu o vizinho batendo no animal, denuncie, chame a polícia”, aconselha Maira.

Solução

Conter a reprodução de animais é a forma mais rápida e viável para a diminuição de animais de rua, relata Maira. “Se não houver castração em nossa cidade para fêmeas, que são prioridade, não haverá solução”, e continua. “Enquanto o poder público não disponibilizar esse procedimento gratuito, veremos animais abandonados”.

A vacina, segundo ela, não é viável, pois não deve ser aplicada regularmente devido o fato de causar câncer. “Eu acredito que um dia deixarei de ver animais na rua, tanto na cidade quanto no interior. Hoje, a população leva os animais da cidade para o campo, e os bichos de lá ficam pela estrada. O que resolve tudo isso é a castração!”.

Incentivo

Ao vivenciar casos em que foi criticada por cuidar de animais, Maira conta que quem deseja ingressar na área deve aprender a lidar com a situação. “Não tem cabimento receber críticas por ajudar, mas acontece. Não deixe de proteger os bichos por conta disso”, afirma.

“Não maltrate quem expressa tanto amor e companheirismo. Só de tirá-los da rua, sei que por onde eu for, eles me reconhecerão e me darão carinho, então não seja cruel”, finaliza.

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