Técnicos do Deral apresentam o panorama da safra de grãos na região

Para Edson Gonçalves e Carlos Hugo Godinho, as safras de feijão e trigo tendem a superar a anterior se as condições climáticas colaborarem

A safra de grãos 2021/2022 no Paraná poderá somar 36,2 milhões de toneladas, volume 8% superior ao do ciclo passado. A área total, de 10,82 milhões de hectares, é 3% maior. As informações são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

O relatório mensal, divulgado nesta quinta-feira (31), inclui a primeira estimativa da safra de inverno, cuja produção deve ser de 4,75 milhões de toneladas em 1,54 milhão de hectares. Do total, 3,87 milhões de toneladas correspondem ao trigo, volume 21% maior do que na safra passada. A área de cultivo de trigo deve ter uma redução de 4% na comparação com o ano anterior – totalizando 1,17 mil hectares.

Também foram atualizados os dados relativos à safra de verão. Os números constatam o forte impacto negativo da longa estiagem no Paraná sobre a produção de grãos. Na reta final da colheita da soja, avalia-se que as perdas se aproximem de 45% na comparação com a estimativa inicial, que era de 21,1 milhões de toneladas. Agora, a produção estimada é de 11,58 milhões de toneladas. São 9,5 milhões a menos.

Em entrevista ao Correio do Povo, o técnico do Deral Laranjeiras, Edson Gonçalves de Oliveira e o engenheiro especialista em trigo do Deral Curitiba, Carlos Hugo Godinho, apresentam os dados e as expectativas para as safras de trigo, feijão e milho na região.

Trigo

A primeira projeção de área de trigo para o Paraná mostra ligeiro recuo em relação ao ano anterior, e apesar dos valores expressivos recebidos pelos produtores, os custos também estão em alto patamar, o que dificultou aumento de área ao exigir grandes investimentos. A partir de abril, há expectativa de que seja semeada uma área de 1,17 milhão de hectares, 4% menor que a plantada em 2021, de 1,23 milhão de hectares. Esse recuo é mais intenso na região Oeste, onde a segunda safra de milho retomou parte das áreas que havia perdido por falta de tempo hábil para plantio em 2021. A maior possibilidade de retorno com milho também gerou recuos de expectativa para a área de trigo na metade norte do Paraná.

Em Laranjeiras, o especialista Hugo, diz que a desvalorização do dólar tem refletido em um preço baixo do trigo, mas que continua em um patamar alto em função das cotações internacionais. “A baixa cotação nivela o preço dos insumos. De qualquer maneira, o direcionamento será parecido, ou seja, se o trigo barateia, os insumos também seguem o mesmo rumo e vice-versa”.
Segundo ele, o motivo de preocupação dos produtores é o valor da saca pareando próximo ao custo. “No Paraná, a média de preços da saca é de R$ 93, referente ao custo de produção e em algumas praças, a cotação para venda chega em cerca de R$ 95, ou R$ 100. São preços muito próximos e que não estimulam o produtor a aumentar sua área”.

Expectativa 

Na região, a expectativa para a safra, conforme Hugo, é que as áreas de produção aumentem, já que o clima frio favorece à cultura. “Observamos um incremento de área na região visto que, o frio que vem chegando aos poucos estimula a produção”.

Conforme os números previstos por ele, o Estado deve plantar 1,17 milhão de hectares neste ano, que se comparado ao ano interior de 1,22 milhão, a perspectiva de diminuição de área é nítida, mas a produção tende a ser 20% maior se as condições climáticas auxiliarem a safra. “Temos uma expectativa de neutralidade ou de uma linha fraca, e com isso, possibilita a entrada de frentes frias. Vindo no momento certo, não há chance de prejudicar as lavouras, mas como é difícil prever os fenômenos, seguimos torcendo para que tudo ocorra da melhor forma. Se enfrentarmos geada e La Niña, que seja no momento certo e com baixa intensidade”.

Hugo aconselha os produtores que a semeadura de forma escalonada auxilia em uma boa safra e sem risco de prejudicá-la integralmente. “Plantando de pouco em pouco, a chance da geada grossa queimar toda a lavoura diminui, sem deixar o produtor a mercê do clima”. 

Conforme ele, vale lembrar que, apesar do ceral ser uma cultura relativamente resistente ao frio, um déficit hídrico, como o que foi registrado no ano passado, pode prejudicar tanto quanto os outros fatores climáticos.

Milho e feijão

Para o técnico do Deral Laranjeiras, Edson Gonçalves, as áreas comerciais de soja e milho da região se encontram 100% semeadas. “De milho, são 19,6 mil hectares, que diminuiram 11% em comparação à safra passada. As áreas contempladas pelo cultivo do feijão somam 14 mil hectares, reduzindo 8% em relação ao ano anterior”.

Das áreas que se encontram em fase de reprodução, floração e frutificação, segundo Edson, o clima tem favorecido para o bom desempenho a lavoura. “Graças as chuvas acima da média do mês de março, tudo indica que a safra na nossa região seja de grande produtividade”.

Entretanto, para Edson, o que tem assustado os produtores é a queda recente de temperatura, que indica a chegada de geada mais cedo. “Seria terrível ver as culturas semeadas torrando com a geada, pois os produtores esperam recuperar parte dos prejuízos da safra de verão com essa. Esperamos, por fim, que tudo ocorra da melhor forma possível”, ressalta.

Em relação aos preços, as duas culturas apresentaram redução nos últimos dias. “Apesar dessa queda puxada especialmente pela cotação do dólar, consideramos boa a remuneração aos agricultores”, finaliza.

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