André Carrinho, Luciano Bonfim e Manta lembram da convivência com Ulisses

Ex-treinadores do atleta recordaram-no. Com cerca de 10 anos de carreira, o pivô defendeu o clube do coração – Santa Cruz – e também os rivais – Náutico e Sport. No Paraná, defendeu cinco clubes

A morte do pivô Ulisses Monteiro, de 26 anos, chocou o público do futsal brasileiro na segunda-feira (8). A notícia, divulgada durante a noite nas redes sociais, primeiramente dava conta de que ele havia sofrido uma descarga elétrica, em sua residência, no Recife/PE. No entanto, no fim da manhã de ontem (9), o irmão do atleta, Célio Júnior, escreveu uma nota de esclarecimento onde descartava a possibilidade de choque e revelava que a causa do falecimento será esclarecida através de exames, com resolução em até 30 dias.


A carreira em Pernambuco e no Paraná

Ulisses nasceu na capital de Pernambuco e foi lá onde despontou para o futsal. Aos 16 anos, com quatro títulos nacionais, já não era mais tratado como uma promessa da modalidade, mas como um talento. Torcedor do Santa Cruz, jogou pelo clube do coração e pelos dois rivais – Náutico e Sport. Passou também por Barueri/SP e Tigre Garanhuns/PE. No Paraná, chegou em 2016 para atuar pelo Palmas, na Série Prata.
André Carrinho, treinador do Palmas, recorda da vinda do jogador. “Precisávamos de um pivô e o Pepe (empresário) nos repassou ele. Ulisses chegou num dia muito frio e como ele é do Nordeste sofreu bastante”.
O técnico revela que o estilo de jogo do pivô ganhou a simpatia dos torcedores e que o clube tentou, por três vezes, trazê-lo de volta. “Ele quase voltou em 2018, 2019 e em 2020. Era alegre, do bem e nunca nos deu problema. Era namorador e me lembro que quando fazia gols comemorava dando cambalhotas”, diz.


Conquistas em Chopinzinho e passagem rápida por Laranjeiras

Após passar pelo São José dos Pinhais, Ulisses chegou a Chopinzinho em 2018, onde conquistou o acesso na Série Bronze e no ano seguinte foi campeão da Série Prata.
No início de 2020, foi anunciado como reforço do Operário Laranjeiras. Ele disputou a Laranjeiras Cup, mas, pouco aproveitado, acabou deixando o time antes do início do estadual.
“Era um bom menino. Na pandemia, nos pediu ajuda financeira e o Operário foi solícito. Agradeço ao que ele fez pelo nosso Rubrão”, lamentou o presidente do Operário Laranjeiras, Leoni Luiz Meletti, o ‘Tilim’.

Luciano Bonfim, técnico rubro-negro, conta que recorda do ambiente descontraído dos treinamentos com Ulisses. “Sempre estava dando risada e as pessoas gostavam muito dele aqui. Ele saiu do clube, não por motivação pessoal de ninguém, e essa notícia me deixou muito triste, por ser um cara jovem, alegre, que estava batalhando por sua carreira”.


São Miguel

Com a pandemia, o jogador voltou para casa. No Recife, contraiu a Covid-19 e recuperou-se. No 2º semestre, chegou a São Miguel do Iguaçu para disputar a Série Prata pela equipe da cidade.
O técnico Manta Júnior, derradeiro treinador a trabalhar com o atleta, recorda do convívio. “Por sermos – Ulisses e eu – pernambucanos, tive liberdade para dar conselhos a ele, ajudando-o também fora da quadra e acredito que contribuiu com ele. Como jogador, era batalhador, treinava muito”.
Manta revela que a última conversa com Ulisses aconteceu no ano passado, após o término da segundona e que soube da morte do ex-comandado através de outro jogador. “O Lambão me contou na segunda-feira ainda. Todo momento é decidido por Deus e o Ulisses cumpriu sua missão na terra”.
Com 1,59 metro de altura, habilidoso e irreverente, O repórter esportivo do Correio do Povo do Paraná, Juliam Nazaré, lembrou dos jogos do jogador em que cobriu. “Ele teve uma atuação crucial na vitória do São Miguel sobre o Operário por 2×1, na 1ª fase da Série Prata de 2020. Foi a única derrota sofrida em casa pelo Operário em dois anos de futsal. Depois, os times voltaram a se enfrentar, já pela semifinal, e num determinado momento da partida, o Ulisses parou a cobrança de lateral, fez pose e disse para mim ‘bate umas fotos aí, porque eu estou precisando’”.

Ulisses estava sem clube e chegou a ser oferecido ao Coronel Futsal. “O empresário nos ofereceu, mas buscávamos um pivô de retenção e ele é um pivô de movimentação”, explicou o supervisor vividense, Evandro Tosetto, ao canal Top Mídia.

Para a reportagem, o Correio do Povo do Paraná também buscou ouvir os técnicos de Chopinzinho e São José dos Pinhais da época em que Ulisses atuou pelas equipes, Tonhão e Thiago Ferreira, respectivamente, mas não fomos atendidos.

 

O jogador ao lado dos amigos Lambão e Gabriel Guedes. Foto: Juliam Nazaré