Acadêmicas de Psicologia levam acolhimento a famílias da Fundação Colibri
O projeto ‘Cuidando de quem cuida’, desenvolvido por acadêmicas do último ano de Psicologia da Faculdade Campo Real, tem ampliado o atendimento a famílias de crianças com transtorno do espectro autista em Laranjeiras do Sul. A iniciativa ocorre na Fundação Colibri, no Espaço do Autista, com encontros semanais voltados ao acolhimento emocional dos pais.
A proposta foi apresentada pelas estudantes à instituição, que passou a sediar as atividades após identificar a necessidade de um espaço dedicado ao cuidado dos responsáveis. Desde então, o grupo se reúne às quartas-feiras, às 19 horas, reunindo familiares e, mais recentemente, profissionais da educação interessados em compreender a realidade das famílias atípicas.
Segundo a presidente da Fundação Colibri, Julia Graciele Ortiz Techio, o projeto atende a uma demanda recorrente entre os pais e reforça o papel do apoio psicológico no enfrentamento das dificuldades do cotidiano.
“Quando uma família recebe o diagnóstico de TEA, surgem dúvidas, insegurança e uma sobrecarga emocional. O acompanhamento psicológico ajuda muito, dá apoio emocional e contribui para uma melhor compreensão”, afirma.
Quando os pais estão emocionalmente bem, eles conseguem cuidar melhor dos filhos. Por isso, esse espaço de escuta e partilha faz diferença na vida dessas famílias
Julia Graciele Ortiz Techio
Presidente da Fundação Colibri
Acolhimento para quem cuida
O foco do projeto está no suporte aos pais, que muitas vezes enfrentam uma rotina intensa de cuidados e compromissos com os filhos, incluindo terapias, atendimentos especializados e demandas diárias. Nesse contexto, o cuidado com a própria saúde emocional acaba sendo deixado em segundo plano.
A estudante de Psicologia e uma das responsaveis pelo projeto, Joana Cristina Taques explica que a iniciativa busca justamente oferecer um espaço de escuta e troca, onde os participantes possam falar sobre suas experiências sem julgamento.
“O principal objetivo é acolher as famílias, principalmente os pais, que muitas vezes dedicam toda a atenção aos filhos e acabam esquecendo deles mesmos”, diz.
Os encontros são conduzidos, além de Joana, por outras três estagiárias de Psicologia e funcionam como um ambiente de partilha de experiências. A proposta é que os participantes encontrem apoio emocional, reconheçam desafios comuns e desenvolvam estratégias para lidar com o dia a dia.
“A gente criou esse projeto para que eles consigam se sentir compreendidos e amparados. Todos que estão no grupo passam por algo parecido”, afirma Joana.
Além do acolhimento, cada encontro traz uma temática específica, o que contribui para aprofundar discussões e orientar os participantes em diferentes aspectos da rotina familiar. Há momentos de escuta, dinâmicas em grupo e troca de relatos entre os participantes.
Participação e continuidade
O projeto tem registrado aumento gradual de participantes ao longo das semanas. De acordo com as organizadoras, os encontros já chegaram ao oitavo ciclo, com adesão crescente e presença ativa das famílias.
Ao final de cada reunião, os participantes são convidados a avaliar a experiência, relatando como chegam e como deixam o encontro. O retorno tem sido positivo e reforça a importância da continuidade da iniciativa.
“Sempre perguntamos como elas entram no grupo e como saem. O feedback é o melhor possível. Muitas dizem que é uma terapia para elas”, relata a estudante.
Além dos pais, professores passaram a integrar os encontros, buscando entender melhor a rotina das famílias e fortalecer o vínculo com os alunos em sala de aula. A presença desses profissionais amplia o alcance do projeto e contribui para uma abordagem mais integrada do cuidado.
Para a Fundação Colibri, a troca de experiências é um dos principais resultados da iniciativa, ao permitir que os participantes encontrem apoio em vivências semelhantes.
“É muito bom poder conversar e partilhar experiências. O que é difícil para uma família pode ser mais fácil para outra. Isso fortalece e melhora a saúde emocional”, destaca presidente Julia.
Perspectivas
Com o encerramento do semestre acadêmico, o projeto deve entrar em pausa nas próximas semanas. A previsão é de que ainda ocorram mais alguns encontros antes do intervalo. A continuidade já é considerada pelas organizadoras, motivada pelo retorno das famílias e pela demanda observada.
A expectativa é de retomada no segundo semestre, possivelmente a partir de agosto, mantendo o mesmo formato de encontros e o vínculo com a Fundação Colibri. A intenção é ampliar o alcance e consolidar o espaço como referência de apoio às famílias de crianças autistas em Laranjeiras do Sul.



