Dia da Costureira: arte que passa de geração em geração e hoje é uma opção de trabalho em casa

Camila dos Reis, dona da G&V Confecções em Laranjeiras, decidiu trabalhar com a costura para acompanhar o crescimento dos filhos e hoje também emprega outras mães com crianças pequenas

No dia 25 de maio é celebrado o Dia da Costureira, um ofício que perpassa gerações. Sejam nas confecções, nos ateliês ou na vizinhança do bairro, no artesanal ou no industrial, a costura está presente, dando forma e expressão. Considerada uma tarefa feminina, a costura à mão, o tear e o bordado eram passados entre mulheres de geração em geração, como uma herança. Também há homens nesse ramo, mas levando em conta a relação do ofício com a história das mulheres, é muito comum pensar só nelas.

A história da costura surge com as primeiras vestes feitas no período Paleolítico, com a função de proteger o corpo contra o frio. Essas primeiras peças eram feitas com pele curtida, tiras de couro, tendões e tripas de animais caçados para alimentação. A cerca de 25 mil anos atrás, eram utilizadas lãs de animais e fiapos de algodão. Na América há registros de que os povos nativos usavam plantas como a agave, usando a ponta da folha como agulha e as fibras secas para costurar os itens.

As vestes já foram consideradas artigos destinados apenas aos ricos. Depois começaram a ser inseridos no contexto doméstico das mulheres. As roupas ficaram mais elaboradas, com mangas, barras e bordados. A estética começou a se definir para além da proteção do corpo. A burguesia demandava peças que diferenciassem a sua estética, muito mais elaboradas e caras, das roupas feitas para as classes mais baixas. Assim surgiu a moda.

A invenção da máquina de costura ampliou a produção em larga escala. As mulheres mais pobres trabalham em fábricas ou alugavam máquinas para produzir em casa. Desse modo a classe média passou a usar trajes iguais aos da nobreza. A produção em massa mudou para sempre a costura e a moda, pois a classe alta procurava se diferenciar pela extravagância, fazendo nascer a alta-costura, com a finalidade de produzir peças de apurado requinte, com tecidos caros e modelagens únicas, sob medida.

Cinco gerações de costureiras

A costura está intimamente ligada ao nosso cotidiano. Entre a família, parentes e conhecidos é comum conhecer ou saber de alguém que costura.

Na família de Camila dos Reis, dona da G&V Confecções, existem cinco gerações de costureiras, mas somente ela fez da costura sua fonte de renda fixa. Uma das costureiras da família, Catarina Padilha, já falecida, foi uma das primeiras mulheres no Brasil a se aposentar como costureira.

No passado, as mulheres costuravam por necessidade, para atender aos filhos, parentes e amigos. Algumas até ganhavam dinheiro, mas de forma independente, porque a tarefa não era considerada uma profissão. Na época de Catarina, saber costurar era uma obrigação de toda mulher, para que fossem consideradas prendadas, e assim pudessem se casar.

Camila conheceu a costura através de sua mãe, Marlene Padilha. Desde criança ela a via costurar, mas nunca pensou que algum dia trabalharia com isso. Porém com dois filhos, Gustavo de oito anos e Valentina de um ano e cinco meses, ela viu na costura uma forma de ficar mais próxima deles e poder ter uma renda ao mesmo tempo. Como era um conhecimento que sua mãe poderia lhe dar, Camila acabou adquirindo gosto e prática pelo ofício.

“Eu sempre falei que eu nunca iria costurar. Depois que a minha filha nasceu eu decidi ficar em casa para cuidar dela e resolvi começar a costurar, abrir a minha empresa. Assim eu posso trabalhar e acompanhar o crescimento dos meus filhos”, relata.

O nome de sua empresa, G&V Confecções, foi escolhido em homenagem aos filhos, Gustavo e Valentina.

Camila conta que se surpreendeu, porque achava que não teria dom para costurar, mas que quando se faz algo com determinação, dá certo. Com a ajuda de sua mãe, muito experiente na atividade, em torno de dois meses Camila já costurava sozinha.

No mês de julho fará um ano que ela abriu a G&V Confecções, começando a vender profissionalmente. Tudo com a ajuda de sua mãe, que a apoiou desde o começo.

Abrir a empresa foi fácil, segundo ela. Através da internet, ela abriu o Microempreendedor Individual (MEI) e não teve dificuldades. O investimento único e principal veio do marido, Adriano Barboza. “Não precisei ir atrás de outra fonte de empréstimo. Comprei as máquinas industriais e tudo o mais. Depois, com o retorno das vendas, eu só investi”.

No momento a G&V Confecções conta com duas funcionárias, que são da família. As duas são mães, que podem conciliar os seus horários de trabalho enquanto as crianças estão na creche. Camila pretende contratar mais funcionárias, umas cinco ou seis pessoas, de início, para poder crescer cada vez mais o negócio.

“Meu objetivo é focar nas mães que precisam de emprego e às vezes não tem como deixar o filho em uma creche, então elas podem trazer as crianças para ficar junto delas. Como mãe, eu sei que é complicado deixar os filhos com outras pessoas, pagar para alguém. Então nos ajudamos nessa questão”.

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