Os idosos e o isolamento social

A angústia e a tristeza batem a porta devido a pandemia e podem causar depressão e ansiedade

Um dos grupos de risco que mais têm sido atingido pela Covid-19, não só pela parte física e biológica do vírus, mas também pela saúde mental, têm sido os idosos, a necessidade de manter o isolamento social tem sido muito difícil especialmente para eles. A psicóloga Taiane Franco explica que com a falta de visita dos familiares e amigos, as caminhadas e passeios que alguns faziam e que durante a pandemia não era mais possível, os projetos de grupos para a terceira idade que foram todos cancelados neste período, fez com que os idosos ficassem em casa sem nenhuma ocupação.“Além dos problemas das restrições de liberdade, tem também as comorbidades, tanto físicas quanto psicológicas, que podem acabar se intensificando por causa do isolamento, então acaba tendo reflexo na saúde mental’’.
A psicóloga fala sobre a importância de explicar para eles sobre os cuidados como o uso da máscara e do álcool, a necessidade de ficar dentro de casa e do distanciamento. Mas ela lembra que  também é necessário oferecer opções de como utilizar a energia sem se expor e que quem  tem um idoso em casa, pode ajudá-lo a achar outras atividades ocupacionais para seu tempo.“Para idosos que gostam de se exercitar, pode-se utilizar a internet para assistir vídeos de exercícios e também para manter contato com os familiares através de videochamadas, por mais que esteja longe de alguns parentes é importante o emocional se sentir perto, mesmo que fisicamente não’’.


Impactos
Segundo Taiane o distanciamento social pode gerar muitas mudanças na rotina e acabam tendo impacto no sono, nas questões de ansiedade, na irritabilidade, sem contar o medo de contrair o vírus e de ficar sozinho. Ela orienta que  alguns sintomas podem aparecer e é necessário ficar alerta e buscar um especialista. “Sentimentos de tristeza, desânimo, desesperança, falta de energia, mudanças no comportamento, irritação, angústia e às vezes até perde o interesse nas coisas que fazia antes, como cozinhar e fazer crochê”.
“Outros sintomas preocupantes podem ser também as alterações no sono, como insônia ou sono em excesso que pode ser uma fuga da situação que está sendo vivida. O apetite também pode ser a escassez de fome ou o excesso, Em caso de ansiedade  alguns se aliviam comendo e outros não conseguem comer e acabam ficando doentes por causa disso’’. Complementa a especialista.
Conforme ela, quando se fica muito tempo em casa, existe a diminuição da  auto estima e do cuidado com a aparência, além do aspecto de cansaço e falta de energia. A concentração já não é mais a mesma e vem os lapsos de memória. “ Às vezes até, alguns têm pensamentos ruminativos em questões da morte. Podem manifestar o medo dela ou até o desejo de morrer devido a falta de perspectiva de melhora no quadro mundial”. A psicóloga alerta que a ansiedade assim como várias comorbidades podem ser neuropsicológicas, e é necessário tentar acolher os medos e auxiliar nas dúvidas, para que os idosos se sintam mais seguros. 
Com a chegada do fim do ano,  a angústia e a tristeza de ter que ficar longe dos parentes fica ainda mais evidente. “Quando se é  responsável por um idoso, é necessário tentar fazer que ele  fique o mais próximo possível de um momento familiar, do aconchego, e confraternizar sentimentos mesmo a distância, finaliza a psicóloga.