Banco de antígenos amplia escudo contra a febre aftosa no Brasil

Estrutura inédita manterá estoque estratégico para produção rápida de vacinas em caso de emergência sanitária

O Brasil passou a contar com um novo instrumento para fortalecer a defesa sanitária do rebanho nacional. Inaugurado nesta sexta-feira (17), em Buenos Aires, na Argentina, o primeiro Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa armazenará insumos que poderão ser usados na produção rápida de vacinas caso a doença volte a ser registrada no país.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó. A estrutura foi criada para garantir uma resposta imediata diante de eventuais focos da enfermidade, preservando o status sanitário conquistado pelo Brasil e a competitividade da pecuária nacional.

Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação trouxe novas oportunidades ao setor. “Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade“, afirmou.

Estoque para resposta rápida

O banco inicia suas operações com antígenos suficientes para a produção de 10 milhões de doses de vacinas contra os dois sorotipos do vírus com maior histórico de circulação no Brasil. O contrato também prevê a possibilidade de fornecimento de outras 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, caso haja necessidade.

De acordo com o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, a manutenção desse estoque atende a uma exigência internacional. “Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida“, destacou.

Proteção ao rebanho e ao mercado

Por questões de biossegurança, o material permanecerá armazenado na Argentina. O modelo segue práticas adotadas por países como Estados Unidos e Reino Unido, que também mantêm estoques estratégicos na mesma unidade da Biogénesis Bagó.

O presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, Rodolpho Botelho, afirmou que a medida reforça a credibilidade conquistada pelo Paraná na defesa agropecuária. “Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, disse.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o mecanismo também protege o comércio internacional de proteína animal. Segundo ele, os protocolos da Organização Mundial de Saúde Animal permitem isolar áreas afetadas, vacinar os rebanhos e controlar eventuais focos sem comprometer o reconhecimento sanitário do país.