Qual a importância de seguir o relógio biológico para a alimentação

A crononutrição prioriza a melhor qualidade de vida e a melhora na alimentação, baseada em uma rotina alimentar

A alimentação ocupa um lugar essencial em nossa vida. Uma pergunta recorrente é se existe hora certa para comer. A resposta é sim. Essa dúvida gerou o interesse pelo conceito de crononutrião, que tem a ver com as horas escolhidas para cada refeição e como isso impacta o nosso corpo de formas variadas.

Estratégias como esta tem o objetivo, não apenas de melhorar a qualidade de vida, mas de melhorar a alimentação, baseando-se em uma rotina alimentar, para que seja possível prevenir problemas de saúde e tratar melhor de doenças.

Nosso corpo não segue até o fim das longas 24 horas de um dia sem uma boa refeição. Nosso comportamento se altera de acordo com a nossa alimentação. Recebemos o alimento de maneira diferente, a capacidade digestória, tudo muda. Nesse sentido, as pessoas têm os melhores e os piores horários para comer.

Segundo os especialistas, a crononutrição é uma área nova a ser estudada e que ganha mais importância na comunidade científica. A crononutrição vem de um campo muito maior, a cronobiologia, que estuda os ritmos biológicos e os impactos no corpo de forma mais ampla. Porém, a crononutrião, carrega uma semelhança ao observar essas variações de ritmo através do ângulo da refeição e da metabolização dos alimentos.

O médico endocrinologista e nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), afirma que esse é um tema realmente emergente e que tem ocupado um espaço mais forte desde 2014, até ganhar este nome. “O desenvolvimento do campo começou com estudos de trabalhadores em turnos diferentes, que mostraram que eles tinham variações negativas nos padrões de consumo alimentar e tinham uma propensão maior a desenvolver algumas alterações metabólicas e obesidade por conta disso”, explica ele.

Segundo nutricionista Priscilla Primi e mestre pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), nós temos uma secreção de hormônios diferente na parte da manhã e da noite, o que acaba impactando no funcionamento do metabolismo, na resposta glicêmica e na absorção dos nutrientes. “As pesquisas dizem que temos uma melhor resposta na absorção dos nutrientes durante o dia, até meados da tarde”, afirma. “Isso porque o cortisol, que é o nosso hormônio de vigília, de alerta, e a insulina, que regula a glicose, têm o pico pela manhã. Enquanto isso, a melatonina, hormônio do sono, que reduz essa atividade, tem o pico na madrugada”.

O corpo humano possui um comportamento natural, que prepara o organismo para receber e metabolizar alimentos de manhã e de tarde, mas não tem a mesma facilidade para absorver as refeições à noite. Para isso acontecer de forma saudável, é ideal que o sono esteja ligado a regulação desse ciclo, pois ele estabelece um padrão, pois é por influência da luz e da hora de dormir, que o corpo realiza a liberação dos hormônios.

Priscilla também explica que quando esse ciclo é invertido, com o jejum sendo feito de manhã, quando o corpo metaboliza melhor os carboidratos e fazendo as refeições maiores de noite, isso é prejudicial. “À noite esses hormônios não são bem secretados, e aí na hora que você deveria fazer essa digestão e gastar essas calorias, você está dormindo”.

A crononutrição não tem a ver com mudanças radicais, como desjejum completo durante a noite, mas em um cuidado maior com as refeições mais pesadas que consumimos de noite. “A questão não é deixar de comer, mas comer menos, de forma mais saudável e leve, e olhar para o ritmo do funcionamento do corpo de forma geral, então priorizar os horários pela manhã”.

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