Produção de milho tem queda, mas deve ficar na média histórica

De acordo com a regional do Deral, em Laranjeiras do Sul, 85% da plantação já foi colhida na região

O escritório do Departamento de Desenvolvimento Rural (Deral) instalado em Laranjeiras acompanha o desenrolar da safra de grãos em 10 municípios da Cantu: Diamante do Sul, Espigão Alto do Iguaçu, Guaraniaçu, Laranjeiras do Sul, Marquinho, Nova Laranjeiras, Porto Barreiro, Quedas do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu e Virmond.

De acordo com o técnico do Deral, Edson Gonçalves, na região 85% do milho plantado já foi colhido, enquanto o mesmo processo na soja atinge 75%. Laranjeiras do Sul, especificamente, já colheu 60% da produção de soja. Nova Laranjeiras e Porto Barreiro colheram 70%, enquanto Rio Bonito do Iguaçu já atinge 80%, enquanto Virmond ainda está na estaca de 60%.

Devem ser colhidos 8,7 mil quilos de milho colhidos por hectare, enquanto a média da soja é de 7,7 mil kg/ha.

Segundo Edson, na soja houve perdas pontuais, mas a média deve ficar dentro do retrospecto histórico. “O milho quebrou bastante. A gente esperava pelo menos 10.000 kg/ha de média e olhe que esse 8.700 kg/ha deve cair mais ainda até o final da colheita”, explicou.

Menos oferta

A nível de Estado, o secretário de Agricultura, Norberto Ortiguara, destacou os problemas enfrentados pelos produtores desde o ano passado, com severa estiagem, seguida de chuvas fortes. “Tivemos um atraso considerável na semeadura da soja e do milho de primavera e, por força disso, retardamos a colheita, o que está empurrando a semeadura de milho safrinha, tão fundamental para o suprimento do Brasil, para um ambiente mais hostil”, reforçou.

A questão climática, unida à doença do enfezamento do milho, provocou no Paraná a redução em pelo menos 20 sacas por hectare comparativamente com a safra passada. A área colhida está, atualmente, em pouco mais de 50%. “A produtividade está surpreendendo para baixo, ainda que seja safra expressiva para o Brasil”, disse.

Com menos oferta, os preços podem ficar mais elevados para a cadeia que tem o milho como matéria-prima, aumentando a preocupação com abastecimento. “É uma pena ter de colocar o pé no freio no momento em que estávamos crescendo quase 3% em suinocultura e em torno de 5% na avicultura, e também na grande expansão, acima de 10%, na produção de peixes de cultivo”, observou o secretário. O mesmo reflexo será sentido na pecuária de corte, no setor lácteo, na produção de ovos e em outros segmentos.

Preços

No Brasil, a estimativa é de 80 milhões de toneladas de milho, que se somam ao estoque de 10,5 milhões de toneladas. “Mas todos os Estados estão com semeadura atrasada”, disse o Ortigara. Grande parte dos agricultores já comprou sementes e insumos e precisa continuar produzindo e assumindo o risco.

“É um aspecto relevante de pouca proteção e de estar sujeito à exposição maior da lavoura ao risco climático, temperatura e umidade, o que faz pressupor produção abaixo de 80 milhões de toneladas, o que pressiona ainda mais o preço”, disse.

Ele analisou que o consumo interno de milho está estimado em torno de 72 milhões de toneladas, pois há boas perspectivas para a venda de proteínas animais ao mercado externo, com os certificados internacionais de área livre da febre aftosa sem vacinação a vários estados, que devem ser concedidos em maio.

“Isso estimula e amplia o esforço de disputar mercados no exterior”, salientou o secretário. Mas o mundo também quer comprar o milho brasileiro. “Temos perspectiva de grande exportação, de grande consumo e isso pode, em função do aperto da oferta, nos levar a ter de importar mais e vai chegar a um preço bastante elevado, o que afeta custos e estreita margens e faz repensar as decisões empresariais.”