Gerson Boldrini relembra 42 anos de engenharia e vida pública
Engenheiro, ex-vice-prefeito e poeta fala sobre obras marcantes, desenvolvimento urbano, construção civil e projetos para o futuro
Ao completar 42 anos de atuação profissional, o engenheiro civil Gerson Boldrini revisitou uma trajetória construída entre projetos, obras, serviço público e atividades culturais. Em entrevista exclusiva ao PodCor, podcast do Jornal Correio do Povo do Paraná, ele falou sobre a evolução da engenharia, obras que ajudaram a transformar Laranjeiras e os desafios do desenvolvimento regional.
Formado em 1984, Boldrini estima ter participado de cerca de duas mil obras ao longo da carreira. “Foram residências, barracões, edifícios, pontes e muitos outros projetos. É uma vida inteira dedicada à engenharia”, afirmou.
Ele lembra que iniciou a profissão em uma época em que praticamente todo o trabalho era feito de forma manual. “Trabalhávamos na prancheta, com papel vegetal, tinta nanquim e cópias heliográficas. Hoje temos tecnologias e programas para todas as áreas da engenharia.”
Apesar da modernização, afirma que a experiência continua sendo indispensável. “Quem usa apenas programas muitas vezes não sabe avaliar se aquele resultado está correto. A prática e o conhecimento técnico continuam sendo fundamentais.”
Obras e desenvolvimento da cidade
Ao longo de quatro décadas, Boldrini acompanhou o crescimento urbano de Laranjeiras. Entre as realizações que considera mais marcantes está o Cine Teatro Iguaçu, concebido durante o período em que foi vice-prefeito e secretário municipal de Obras. “Essa obra saiu da minha cabeça e da minha prancheta. Quando projetei aquele espaço, pensei em um local que pudesse promover cultura e oferecer oportunidades para as pessoas.”
Segundo ele, a construção exigiu esforço financeiro do município, mas resultou em um espaço que se tornou referência na região. “Hoje é uma obra consolidada e utilizada pela população. Isso é o que realmente importa.”
Também destacou a construção da Escola Municipal Aluísio Maier, executada com recursos próprios do município, além da participação em hotéis, condomínios residenciais e outros empreendimentos privados que ajudaram a ampliar a infraestrutura urbana da cidade.
Vida pública e atuação profissional
Boldrini recordou o período em que integrou a administração municipal no início dos anos 2000. Na época, acumulava as funções de vice-prefeito, secretário de Obras e engenheiro da prefeitura.
“Foi um período de muito trabalho. Assumimos com dificuldades financeiras, mas conseguimos executar projetos importantes e deixar contribuições para a cidade.”
Outra experiência destacada foi a participação no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR), onde exerceu cinco mandatos como conselheiro e também ocupou a diretoria financeira da instituição.
“Foi uma experiência muito rica. Conheci profissionais de todo o Paraná e aprendi muito sobre a importância da engenharia para o desenvolvimento da sociedade.”
Condomínios e construção civil
Grande parte de sua carreira foi dedicada à construção de condomínios pelo sistema de preço de custo, modelo que permite aos participantes acompanhar a obra e pagar apenas os custos reais da construção.
“É um sistema transparente e participativo. As decisões são tomadas em conjunto e os moradores acompanham todas as etapas do empreendimento.”
Ele também apontou desafios enfrentados atualmente pelo setor, como a valorização dos terrenos e a escassez de mão de obra. “Hoje existe uma dificuldade cada vez maior para encontrar trabalhadores qualificados na construção civil.”
Literatura e novos projetos
Além da engenharia, Boldrini mantém uma ligação antiga com a literatura. O hábito da escrita surgiu ainda na adolescência, quando estudava em Ponta Grossa. “A saudade da família e a necessidade de me expressar me levaram à poesia. Depois disso nunca mais parei de escrever”, contou.
Atualmente possui 14 livros escritos e mantém uma coluna de poesias publicada semanalmente no Jornal Correio do Povo do Paraná.
Ao projetar o futuro, afirma que ainda pretende contribuir com novos empreendimentos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento local. “Quero continuar construindo, ajudando a melhorar a cidade e colaborando para que Laranjeiras siga evoluindo”, afirmou.
Para ele, o principal legado que um profissional pode deixar está na responsabilidade com o trabalho realizado. “Cada obra envolve a vida de pessoas e famílias. É preciso fazer as coisas com cuidado, pensar no coletivo e entender que aquilo que construímos hoje permanecerá servindo às próximas gerações”, concluiu.
A entrevista completa com Gerson Boldrini está disponível no canal ‘Correio Digital’, no YouTube e Spotify, onde o engenheiro detalha sua trajetória profissional, atuação pública, projetos desenvolvidos ao longo de mais de quatro décadas e sua visão sobre o futuro de Laranjeiras e da região.



