Luiz França defende novo modelo de gestão e investimentos regionais

Pré-candidato ao governo do estado destaca propostas em logística, industrialização e qualificação profissional para fortalecer a região

Em um momento decisivo para o futuro político do Paraná, os jornais Correio do Povo do Paraná e Extra Guarapuava, dão continuidade a série especial de entrevistas com os pré-candidatos ao governo do Estado. A proposta é colocar ideias sob escrutínio, confrontar propostas e apresentar ao leitor um retrato fiel de quem pretende comandar o Paraná a partir de 2027.

A rodada segue a ordem dos nomes mais citados nas pesquisas eleitorais recentes, e o entrevistado desta edição é o advogado Luiz França (Missão).

A pesquisa utilizada como critério para definir a ordem das entrevistas é a divulgada pela Genial/Quaest (registro no TSE número PR-02588/2026).

O cenário ainda está em aberto. Há um alto índice de eleitores indecisos e a eleição promete ser influenciada por fatores como alianças, desempenho de governo e polarização ideológica.

É neste contexto que a série busca aprofundar o debate, indo além dos números e explorando propostas concretas.

Nesta entrevista exclusiva ao Correio do Povo do Paraná e Extra Guarapuava, Luiz França defende investimentos maiores em industrialização e em infraestrutura logística para o Estado.

Correio do Povo do Paraná – O Paraná apresenta bons indicadores em algumas áreas, mas ainda enfrenta desafios estruturais. Na sua avaliação, quais são hoje os principais gargalos do Estado e qual seria a sua prioridade número um ao assumir o governo?

Luiz França – Olha, vamos falar a verdade sem enrolação: o Paraná que aparece na propaganda da TV parece um mar de rosas, mas a realidade na mesa do paranaense é outra. O governo comemora que o PIB subiu ou que “abriu milhares de empresas”. Mas o nosso painel de dados mostra que a maioria dessas empresas são MEIs — ou seja, o trabalhador que perdeu o emprego com carteira assinada e teve que virar MEI por desespero para fazer bico de aplicativo ou entregar marmita para sustentar a família.

E a nossa taxa de sobrevivência prova que, de cada 10 MEIs abertos, quase 4 quebram a cara e fecham as portas antes de completarem dois anos. A minha prioridade número um é dar o remédio amargo para arrumar a casa. Vamos cortar as mordomias e os privilégios do topo do governo para sobrar dinheiro para o que importa.

E vamos criar a Lei de Responsabilidade Gerencial: se o prefeito não arrumar o posto de saúde, não melhorar a nota da escola e não trouxer emprego de verdade, o governo corta a verba da prefeitura e o político fica inelegível. Chega de prefeitura servir de cabide de emprego para político mandar na cidade.

Correio do Povo – A região da Cantuquiriguaçu possui forte potencial agrícola e logístico, mas ainda carece de investimentos estruturantes. Qual é a sua estratégia para impulsionar o desenvolvimento econômico local e atrair novos investimentos?

Luiz França – O paraná é um gigante na produção de grãos, a nossa terra é abençoada. Mas não faz sentido a gente plantar tanta soja e milho aqui, colocar tudo no caminhão e mandar embora sem processar. A riqueza sai da nossa terra, mas o imposto e o emprego bom ficam fora.

Correio do Povo – Rodovias, ferrovias e logística seguem como gargalos históricos no Centro-Sul do Paraná. Que projetos o senhor considera viáveis para melhorar a integração regional e escoamento da produção?

Luiz França – Qualquer caminhoneiro ou produtor que pega a BR-277 sabe o drama. Passamos anos pagando um pedágio caríssimo e a duplicação nunca chegou onde precisava, encarecendo o frete e tirando o dinheiro do bolso do colono. O nosso plano, que chamamos de ‘Missão Rondon’, vai acabar com essa moleza. O nosso projeto viável é bater o martelo com as novas concessionárias de pedágio e exigir: a duplicação dos trechos perigosos tem que começar já nos primeiros anos, e não ficar para o final do contrato.

Para as obras andarem rápido, vamos usar uma Licença Ambiental Especial, que corta a papelada e o lero-lero burocrático que trava as obras por anos na justiça. Mas o grande salto é colocar a carga no trilho. Vamos incentivar o investimento em ferrovias. Tirar o peso do asfalto e colocar no trem barateia o frete, salva vidas nas estradas e faz o produto do Centro-Sul chegar ao porto custando muito menos.

Correio do Povo – Municípios como Laranjeiras do Sul enfrentam dificuldades no acesso a serviços de saúde de média e alta complexidade. Como seu eventual governo pretende descentralizar e fortalecer o atendimento nessas regiões?

Luiz França – Não dá mais para aceitar que a “ambulância” seja a principal política de saúde de Laranjeiras do Sul. Acordar um doente às duas da manhã, colocar numa van da prefeitura e viajar quilômetros de estrada para fazer um exame de imagem ou passar por um especialista em outra região é uma humilhação que tem que acabar.

Com o programa ‘SUS Fila Zero’, nós vamos levar a solução até o paciente. Primeiro, vamos usar a tecnologia com consultas por vídeo (telemedicina) direto nos postos de saúde de Laranjeiras, conectando o médico local com os melhores especialistas do Estado para agilizar o diagnóstico sem a pessoa precisar viajar. Segundo, vamos mudar a regra da fila: hoje vai para o atendimento quem chegou primeiro na fila do papel, mas com o nosso sistema, o computador vai colocar na frente quem tem maior risco de vida, usando inteligência artificial para salvar quem precisa mais rápido. E se o prefeito deixar faltar o básico, a nossa fiscalização vai em cima e ele perde o cargo

Correio do Povo – Diante das mudanças no mercado de trabalho e da necessidade de diversificação econômica, quais setores o senhor pretende priorizar nas regiões de Guarapuava e Laranjeiras do Sul?

Luiz França – Nós vamos priorizar o ensino técnico profissionalizante nas escolas estaduais. O jovem daqui não vai precisar ir embora para Curitiba; ele vai aprender no colégio a mexer com manutenção de maquinário moderno, agricultura de precisão e biotecnologia para o campo. E para quem está desempregado e sem perspectiva, vamos criar as Frentes Cidadãs: em vez de apenas dar o benefício social e deixar a pessoa em casa, nós vamos chamar o cidadão apto para trabalhar na reforma de escolas, na limpeza de praças e na zeladoria da comunidade. Ele ajuda a melhorar o seu bairro, ganha o seu sustento com dignidade e aprende uma profissão de verdade para voltar ao mercado de trabalho formal.

A série de entrevistas promovida pelos jornais Correio do Povo do Paraná e Extra Guarapuava seguirá nas próximas semanas com outros pré-candidatos, respeitando a ordem de desempenho nas pesquisas eleitorais recentes.