Boate Kiss: após julgamento dos réus em dezembro, famílias consideram o caminho à justiça

Atualizações do caso reacende esperança em quem há muitos anos espera por isto

Nove anos depois do incêndio traumático ocorrido na Boate Kiss, no Rio Grande do Sul, familiares das vítimas consideram que a justiça começou a ser feita. No mês de dezembro de 2021, quatro pessoas acusadas pelo Ministério Público (MP) pelos 242 homicídios e 636 tentativas de homicídio por dolo eventual, foram condenadas em júri popular a penas de 18 a 22 anos, a serem cumpridas em regime fechado, inicialmente.

O presidente da Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio Silva comenta sobre o processo em que os réus responderam pelos casos, sem dúvida foi feita a justiça.

“Consideramos que foi feita justiça, mas sabemos que isso vai ser decidido nos tribunais superiores mais à frente, porque eles devem recorrer. A gente entende que a justiça teve seu início, a condenação deles é sinal dela”.

Condenados

Elissandro Calegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann – sócios da Boate -, foram condenados à penas de 22 anos e seis meses, e 19 anos e seis meses, respectivamente; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, que acendeu o artefato pirotécnico que causou o incêndio, foi condenado a 18 anos; e o produtor do grupo musical, Luciano Augusto Bonilha Leão, que comprou os fogos, a 18 anos também.

“Houve vitória da sociedade! Não ganhamos nada, a sociedade conquistou o início da punição desse tipo de crime. Entendemos que só à base de muita luta e esforço, que acontece justiça ”, ressaltou Flávio, pai de Andrielle Righi da Silva, vítima do incêndio.

Os quatro condenados já cumprem pena. Na Justiça Militar, dois bombeiros foram condenados à penas de reclusão, mas as punições não começaram a ser cumpridas em razão de recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Quatro bombeiros também já haviam sido condenados anteriormente pela Justiça Comum à penas sem reclusão, em razão de irregularidades no processo de concessão de alvará da boate.
“Não entendemos como condenação, pois as responsabilidades deles são graves visto pelos crimes que cometeram. Eles foram condenados a pagar multa”, disse Flávio. De acordo com ele, os familiares já recorreram ao STJ e aguardam um novo julgamento.

Tragédia

O incêndio teve início na madrugada de domingo, 27 de janeiro de 2013, durante apresentação da banda Gurizada Fandangueira. O evento havia sido organizado por estudantes dos cursos de agronomia, medicina veterinária, zootecnia, técnico em agronegócio, técnico em alimentos e pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

O fogo teve início no teto da boate, após um dos integrantes da banda acender um artefato pirotécnico no palco. A espuma, utilizada para abafar o som do ambiente, era inapropriada para uso interno. Ao queimar, produziu substâncias tóxicas que causaram a maioria das mortes. O recinto funcionava com documentação irregular e estava superlotado.

De acordo com sobreviventes, uma fumaça preta tomou conta do local em questão de segundos, e impediu as pessoas de encontrar rota de fuga. A maior parte dos corpos foi achada em um dos banheiros da boate, confundido com a saída do local.

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