Por causa de youtubers, crianças de Portugal “só falam brasileiro”

Conforme o jornal, o grande responsável pela mudança da fala dos pequenos cidadãos portugueses é Luccas Neto, de 29 anos

Uma matéria publicada na quarta-feira (10) no Diário de Notícias, um dos jornais mais tradicionais de Lisboa, tem sido replicada nas redes sociais brasileiras ao denunciar uma suposta ameaça aos miúdos, nome que se dá às crianças em Portugal. Segundo o periódico, alguns desses pequenos “só falam ‘brasileiro’”. E os “culpados” por essa mudança na forma de falar seriam os youtubers do Brasil.

Ao mencionar a “ameaça” cultural, o texto fala em tom angustiado sobre a canalhada (criançada em português de Portugal): “Dizem grama em vez de relva, autocarro é ônibus, rebuçado é bala, riscas são listras e leite está na geladeira em vez de no frigorífico”. De acordo com os educadores, o fenômeno se intensificou durante a pandemia da Covid-19, quando as crianças passaram a ficar mais tempo expostas aos conteúdos brasileiros.

Conforme o jornal, o grande responsável pela mudança da fala dos pequenos cidadãos portugueses é Luccas Neto, de 29 anos, apresentado como irmão do Felipe Neto, “também youtuber, mas esse mais voltado para um público mais velho”, de putos e gajos (adolescentes e jovens em Portugal). Apesar de existirem diversos produtos de conteúdos similares, o dono do canal Luccas Toon é apontado como “o rei das visualizações”, com 36 milhões de inscritos.

O que dizem os especialistas?

O Diário de Notícias publicou até alguns relatos de pais que estavam na bicha (fila em Portugal) para comprar ingressos justamente para o show “Luccas Neto e a Escola de Aventureiros” apresentado no Altice Arena, nos dias 6 e 7 de novembro. Falando sobre o filho, uma mãe desabafou: “Todo o discurso dele é como se fosse brasileiro. Chegamos ao ponto de nos perguntarem se algum de nós era brasileiro, eu ou o pai”.

Já para Catarina Menezes, uma professora de linguística, a coisa não é tão grave. “A mesma coisa quando apareceram as novelas… que eram completamente massificadas”. Para a também especialista em comunicação e mídia, a discussão dos youtubers não é diferente.

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