Hospital do interior do Paraná produz o próprio oxigênio

A fabricação do insumo, desde a inauguração do Hospital, em 2017, torna o Madre de Dio autossuficiente no fornecimento de oxigênio aos pacientes

Por Cris Loose

Hospital Madre de Dio produz o próprio insumo desde sua inauguração; unidade de saúde suplementar mantém serviço especial para atendimento a casos de Covid-19. (Fotos: Divulgação)

Vem de São Miguel do Iguaçu, aqui no oeste do Paraná, uma condição que hoje faria a diferença na maioria das unidades de saúde brasileiras que, neste momento de tensão causado pelo avanço da pandemia, lutam contra a falta de oxigênio para atender seus pacientes.

“Essa autonomia faz diferença em momentos de crise como o que estamos vivendo”, ressalta o diretor Hospitalar, Rodrigo Fauth. “Mesmo com o aquecimento do mercado global, nossos pacientes não são afetados e a assistência é garantida”, acrescenta.

Oxigênio

O oxigênio é utilizado em situações em que a oxigenação do paciente é inferior a 90%, principalmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e salas de emergência, sendo essencial no atendimento de casos graves da Covid-19. 

A usina

A usina do hospital produz cerca de 30 m³ de oxigênio por hora, o que corresponde a mais de 700 m³ por dia, fornecendo autonomia no abastecimento da unidade, com um consumo de energia até 70% inferior se comparado a outros métodos.

A produção de oxigênio medicinal demanda processos complexos, como filtragem do ar atmosférico, liquefação do oxigênio e baixíssimas temperaturas, tudo realizado com um alto nível de segurança no hospital. A usina da unidade atende às normas e legislações previstas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Totalmente integrado ao projeto do hospital, o oxigênio da usina é levado diretamente aos leitos hospitalares, sem a necessidade de manuseio de cilindros. De acordo com o diretor Hospitalar, “a autossuficiência de oxigênio é um investimento que se paga a médio prazo, dado o baixo custo de produção”, afirmou Rodrigo Fauth.

“Ser autossuficiente é uma condição que amplia a segurança na assistência aos pacientes que precisam de oxigênio porque, na falta de produto no mercado, como tem acontecido em algumas cidades no Brasil atualmente, o hospital tem condição de produzir seu próprio insumo”, acrescenta.

Referência

Gerenciado pela Pró-Saúde, uma das maiores entidades filantrópicas de gestão hospitalar do Brasil, o Madre de Dio criou um atendimento específico de emergência para atender casos de pacientes com o novo coronavírus.

O serviço opera 24h por dia e inclui todas as etapas de atendimento, desde triagem e diagnóstico, até isolamento e leitos de internação.

“A Covid-19 ainda desafia os serviços de saúde de todo o mundo, mas aqui no Madre de Dio contamos com uma equipe multidisciplinar formada por profissionais capacitados. Trata-se de um hospital que tem toda uma estrutura para oferecer o melhor tratamento médico”, destaca Fauth.

Estrutura

A unidade é uma das mais avançadas da região oeste do Paraná, com capacidade operacional de até 250 leitos de internação e 20 leitos de UTI, além de cinco salas cirúrgicas, pronto-socorro completo e departamento de imagem com oferta de exames de alta complexidade.

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